Pepeu


Informações: Pepeu (Pedro Leopoldo), 21 anos, norte-americano. Artista de rua e membro do grupo artístico itinerante denominado "Anjos da Arte" (e, posteriormente, "Anjos da Guerra"). Um eterno menino sonhador e apaixonado, extremamente sensível, nostálgico, mas também divertido.

Pepeu na história: Em um belo dia, Pepeu surge misteriosamente nos canteiros do jardim cuidado por Anny. Com o passar do tempo, eles tornam-se amigos, cúmplices, companheiros para as partidas de xadrez, danças ao som de gaita e conversas sobre o mundo além daqueles canteiros. O amor que sentem um pelo outro é um amor fraterno; são como irmãos, como uma família. No decorrer da história, Pepeu desabafa com Anny sobre seu passado e as razões para o sofrimento que ele carrega. Porém, ao mesmo tempo em que as respostas são dadas, muitos mistérios continuam a envolvê-lo.


Trechos com o personagem:

"— Pepeu, posso fazer uma última pergunta antes de você partir?
— Claro.
— Você é um anjo? – perguntou Anny".

"Pepeu foi até lá e a empurrou por uma fração de tempo que pareceu infinita para Anny. A cada impulso ela sentia-se a garota mais feliz do mundo; via tudo ao seu redor sorrir.
Foi um instante lindo, mágico.
Ela pensou que Pepeu realmente era ótimo em mágica, afinal, fora capaz de trazer toda a felicidade do mundo para dentro de seu peito. Ela o amava demais; eram como uma pequena família agora".

"Lentamente, Pepeu subiu os degraus da igreja, a contemplar os próprios pés e as pedras do chão. Tudo cheirava a mar.
Na escadaria, uma sombra surgiu, e veio de encontro à sua. Seu coração soube antes de seus olhos quem estava ali naquele deserto junto a ele. Era o Infinito ganhando forma novamente.
Ele levantou lentamente a face e viu a moça descendo os degraus da igreja, caminhando ao seu encontro.
Tirou a boina da cabeça, segurou-a junto ao coração, e ficou parado com um pé em cada degrau, a contemplar aqueles cabelos.
As ondas dos fios castanhos se misturavam ao longe com as ondas do oceano e ele pôde sentir a alegria invadir cada célula de seu corpo.
Ela estava parada bem à sua frente. Usava um vestido azul, como o mar e o céu, que eram seus únicos companheiros naquele local esquecido pelo mundo.
Ela falou, e sua voz pareceu uma manhã de primavera:
— Ângela.
— Ângela... – ele repetiu – que nome lindo. Parece nome de anjo".

"Ao aproximarem-se do gigante tabuleiro no meio do Reino Xadrez, cada uma das peças ocupou seu devido lugar no jogo, inclusive o sábio Bispo, que compunha o exército preto.
Quando tudo estava organizado, Anny perguntou:
— Com quem irei jogar?
E foi nessa hora que se ouviu o galopar de um cavalo ao longe, e ele surgiu entre as colinas quadriculadas: o cavaleiro bondoso que Anny conhecera na primeira vez em que estivera no reino.
À medida que ele se aproximava, seu rosto se tornava mais familiar.
Com suas bochechas rosadas e pele morena, seu lindo sorriso, em meio a lábios grossos. Anny sabia que era ele: seu fiel cavaleiro, aquele a quem ela tanto amava. Aquele que a salvou da tristeza e da solidão diversas vezes e a ensinou a ouvir o coração.
Ele fez uma demorada reverência à rainha, dizendo:
— A partida pode começar".